A rectificação ao Plano de Pormenor de Armação de Pêra, aprovada pela Assembleia Municipal de Silves no dia 26 de Janeiro, teve voto favorável do Bloco de Esquerda mas levou à apresentação de uma declaração de voto onde se salientam alguns aspectos muito graves que se foram registando ao longo deste processo. A Assembleia reuniu extraordinariamente com a presença de numeroso público (cerca de 200 munícipes e órgãos de comunicação social), apesar da reunião não ter sido divulgada nos habituais locais de afixação de informação à população. De resto, mais uma vez alguma documentação relevante e necessária á apreciação do processo só foi entregue pela Câmara aos membros da Assembleia no próprio dia da sessão. O BE disponibiliza um resumo das intervenções nesta Assembleia.
Na declaração que apresentou, Carlos Cabrita considerou "incompreensível que o Plano, iniciado em 1999 e praticamente concluído em 2002, com Discussão Pública efectuada, não tenha ido ainda a Conselho de Ministros. Desde 2002 tem “marcado passo” nos corredores da burocracia ou dos interesses obscuros que boicotam o desenvolvimento do Concelho e do País", concluindo que "a situação é de tal forma gravosa que bastantes dos benefícios que poderiam resultar da aprovação em devido tempo do Plano de Pormenor, já se perderam. Estamos a falar da desaceleração do caos urbanístico e do desordenamento urbano que continuou desenfreadamente, desfigurando Armação de Pêra e que deveria ter sido interrompido".
O representante do BE na Assembleia Municipal de Silves responsabiliza o PSD porque "durante o período (2002-2007) em que o processo “marcou passo” foi o partido que conduziu os destinos da autarquia, sob a liderança de Isabel Soares", concluindo que "a actual presidente, não só não foi capaz de inverter o descontrolo urbanístico de Armação de Pêra, como permitiu o seu agravamento. Deu-lhe quase “xeque-mate”!"
Segundo o documento apresentado por Carlos Cabrita, "o Plano não possibilitou amplamente os benefícios esperados e, curiosamente, vai permitir situações que segundo as regras do novo PROT já não seriam possíveis, dadas as novas condicionantes de ocupação do território entre as faixas litorais dos 0-500m e os 0-2000 metros". O Bloco de Esquerda sugeriu, em alternativa, que a autarquia adquirisse solos na faixa de 500 metros a partir da linha de costa para promover com mais dignidade a requalificação desse espaço.
Também na aprovação de um loteamento em Armação de Pêra, analisado na mesma Assembleia, a autarquia abdicou de um espaço de cedência para fins públicos de 7257m2, recebendo em troca cerca de 106 mil euros. O BE considerou esta opção "um erro muito grave no contexto de uma freguesia com tanta falta de espaços para a população". Saliente-se ainda que a alteração pontual proposta (e aprovada) para o PDM em Alcatarilha se destina à instalação de um espaço comercial de grande superfície por um promotor que a Presidente da Câmara de Silves se recusou a revelar.