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Declaração de Voto do BE, Assembleia Municipal, Praia Grande

 

Plano de Urbanização 

Votamos contra este Plano de Pormenor não por sermos contra o desenvolvimento do concelho como alguns nos apelidarão.

Defendemos um outro modelo de desenvolvimento que preserve e valorize os recursos naturais, o desenvolvimento equilibrado dos vários sectores e actividades económicas de forma sustentável, por oposição ao crescimento desenfreado da actividade imobiliária turística, de carácter especulativo e castradora das outras actividades.

Em presença de abundante património (natural, cultural, etc) a receita é sempre a mesma: os apartamentos, o golfe e as “cerejas”. 

As “cerejas”, digo, a componente hoteleira, essa sim, é geradora de emprego e desenvolvimento, mas é sempre minoritária nestas propostas de Plano de Pormenor.

À luz das novas exigências económicas e ambientais nada de novo. Receitas antigas, relativamente à utilização dos recursos hídricos, dos efluentes urbanos, da energia, da prevenção dos efeitos das alterações climáticas. Tudo como se as entidades públicas não devessem ser as primeiras a dar o exemplo no contexto difícil de escassez de recursos que avizinha ainda neste século.

Mais umas camas, porque não? O nosso vizinho ali ao lado não fez o mesmo? é a chamada “pescadinha de rabo na boca”. Tudo a bem da economia e do desenvolvimento concelhio mas, pasme-se, sem ter por base um estudo dos impactos, económicos, sociais e ambientais destes “grandes empreendimentos”. Os chamados empreendedores serem tributados pelas “mais valias” geradas pela valorização surpreendente e de uma penada de uma qualquer propriedade rústica que passa a urbana, é coisa de loucos. 

Nós até vivemos num País onde não há défice ou, se o temos, os trabalhadores que o paguem…

O Bloco de Esquerda não avaliza estas políticas e estes interesses. Assim comprometemos, irremediavelmente, o nosso futuro comum.

O Membro na AM do BE

Carlos Cabrita

 Silves, 07 de Dezembro de 2007