Share |

Discussão Publica do Plano de Pormenor da Praia Grande

 

Plano de Pormenor da PRAIA GRANDE

Participação Pública – Parecer do BE de Silves

O Plano de Pormenor da Praia Grande, agora apresentado à discussão pública é substancialmente diferente daquilo que foi ventilado, há poucos anos atrás. Há algum tempo circulava a noticia que no morgado das relvas iria surgir um empreendimento turístico com dois campos de golfe maiores do que é habitual.

Ficamos espantados quando vimos a componente imobiliária bastante vincada, com perto de 4 000 camas, e descobrimos que existiam dois campos de golfe mas agora só com nove buracos cada um. Temos dificuldade em perceber a mudança e o porquê da opção de reduzir as dimensões dos campos de golfe outrora previstos.

Se um campo de golfe gastar nos seus dezoito buracos, 250 ou 300 mil metros cúbicos de água, a lagoa dos salgados poderá ter água suficiente para regar meia dúzia deles e sobrar ainda para regar centenas de hectares de culturas agrícolas. Os campos de golfe merecem ser criticados pelos seus efeitos poluentes, parecidos com a agricultura comercial, mas naquele local não há o perigo de poluírem as águas subterrâneas.

Achamos que nos solos de reserva agrícola deveriam ser implantadas actividades agrícolas, mas os campos de golfe seriam um mal menor perante a ocupação de solos RAN por aldeamentos turístico/imobiliários. Os solos nos campos de golfe são convertíveis em solos agrícolas, enquanto que os solos ocupados com aldeamentos são perdidos para sempre, para esse fim . Portugal não é um país rico em solos RAN para que deixemos estragá-los com a maior das facilidades.

Não percebemos como é que o Protal impõe fortes limitações à construção na faixa litoral, entre os 500 e os 2000 metros e depois aparece um projecto urbanístico com esta densidade. É verdade que há projectos urbanísticos, aprovados no litoral com densidades ainda maiores, mas gostaríamos de salientar que por exemplo, o polémico Amendoeira Golfe tem uma densidade mais baixa, apesar de estar situado a mais de 2000 metros do mar. 

Convém relembrar que o projecto do Sr. Eriksson ( antigo treinador do Benfica ), fica situado em plena serra algarvia, no concelho de Lagos, apresenta umas modestas 1400 camas para os 610 hectares que ocupará. Dá a impressão que a densidade urbanística diminui para o interior, quando deveria ser o contrário, pois toda a gente sabe que o litoral está, há muito, saturado.

A documentação fala que será feita agricultura biológica e tradicional nalguns solos RAN. Não especifica quantos hectares, mas seguramente está longe de ser a fatia predominante. Num colóquio, realizado no ano passado em Silves, « Por este Rio Acima», o responsável por uma grande herdade, situada a poucos quilómetros do litoral explicava que tinham dedicado dos 1000 hectares à construção de um núcleo turístico. Núcleo turístico esse que tinha dois campos de golfe e 8 camas turísticas por hectare.

 Se o litoral não fosse para estragar com urbanizações, dos 359 hectares da Praia Grande seria apenas um terço ocupado com actividades turísticas. Esses 120 hectares dariam para fazer dois campos de golfe normais de 18 buracos e 10 ou 12 hectares de urbanizações. 

A documentação não explica como irá ser a captação da água para regar os golfes e se todo o empreendimento terá rede separativa de águas , onde os usos menos nobres, usarão água de segunda geração. No que toca à Lagoa dos Salgados, que continuará a receber águas depois de construída a ETAR POENTE, ficamos sem saber se esta será reformulada. Não está esclarecido se a lagoa ficará entregue a si própria e aos caprichos do mar ou se na sua gestão futura entrará inteligência humana, inteligência esta que evite que aquele precioso liquido se infiltre quase todo pelas dunas abaixo, em direcção ao mar. Com tanta água no local esperamos que não tragam até ali condutas das barragens do Funcho e Odelouca.

Sobre os parques de estacionamento previstos junto a Praia Grande Nascente ( 80 lugares ) e junto à Praia Grande Poente (220 lugares ) dá impressão que são insuficientes, especialmente nos meses de Julho e Agosto.