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Abelhas morrem perto do milho transgénico

 

A Associação Almargem divulgou o seguinte comunicado, a propósito da estranha morte das abelhas instaladas em colmeias próximas do campo recentemente plantado com milho transgénico, na zona de Silves:

 

Comunicado da Associação Almargem - 3 Dez 07

Um apicultor da zona do Poço Barreto (Silves) possuía 25 colmeias situadas nas proximidades do campo de milho transgénico plantado na Herdade da Lameira e que foi alvo da acção mediática do Movimento Verde Eufémia, no passado mês de Agosto. Destas colmeias 7 morreram e as restantes encontram-se num estado muito debilitado.

Tais factos terão sido comunicados a funcionários da Direcção Regional de Agricultura que os ignoraram, tendo só agora chegado ao conhecimento da Associação Almargem.

Esta é uma situação grave que torna a colocar em cima da mesa a ossível relação entre o cultivo de milho transgénico e a perda e vitalidade das colmeias situadas nos arredores da plantação.

Um estudo recente de investigadores portugueses da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, publicado primeiro no "Journal of Apicultural Research" e depois na revista "O Apicultor" *, veio demonstrar a afectação de colmeias colocadas na vizinhança de campos de milho transgénico Bt (capaz de produzir a toxina do Bacillus thuringiensis, letal para lagartas e borboletas que atacam o milho), o mesmo que foi plantado na Herdade da Lameira. Segundo esse estudo, a toxina não ataca directamente as abelhas mas a sua presença nos favos desocupados provoca uma grande taxa de mortalidade nalgumas espécies de pequenas borboletas comedoras de cera que vivem habitualmente em simbiose com as colmeias, desempenhando aí uma importante função de limpeza e impedindo a proliferação de agentes patogénicos muito prejudiciais às abelhas.

O estudo dos investigadores portugueses confirma ainda outros dados importantes relativos ao consumo de pólen de milho pelas abelhas, um facto que tem sido negado ou minimizado por responsáveis do Ministério da Agricultura. A verdade é que, durante o Verão quando outras fontes de alimento estão indisponíveis, as abelhas procuram efectivamente os campos de milho em flor e podem fazê-lo até distâncias próximas de 10 quilómetros. Este facto põe a ridículo a alegada "margem de segurança" de 200 metros, sistematicamente indicada pelo Ministério da Agricultura e pelos defensores dos OGMs

como mais do que suficiente para evitar a contaminação de campos vizinhos.

Perante estes dados preocupantes, a Associação Almargem vem exigir ao Ministério da Agricultura:

1. A suspensão imediata de qualquer nova autorização para cultivo comercial de plantas transgénicas em Portugal e, em particular, no Algarve;

2. O desenvolvimento de novos estudos que permitam esclarecer a influência das abelhas e outros insectos polinizadores na disseminação a grande distância do pólen de plantas transgénicas;

3. A execução de análises independentes a amostras de mel produzido na zona de Poço Barreto, com vista a detectar uma eventual contaminação que ponha em risco a saúde pública.

Loulé, 3 de Dezembro de 2007

A Direcção Almargem